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23 de abr de 2011

POLICIAIS MILITARES FAZEM PARTOS


Todos os meses, policiais militares fazem uma média de cinco partos em todo o Estado de São Paulo. Na capital, esse número chega a três procedimentos mensais. São mulheres que entram em trabalho de parto antes de chegar aos hospitais. Sem tanta estrutura e em locais improvisados, o atendimento de emergência rotineiro está na lista de atividades dos PMs que agora serão avaliadas em um “provão” dos cursos de formação de soldados. É nesses cursos que os recrutas aprendem os procedimentos para atender uma mulher grávida.

Pai de gêmeas e com participações efetivas em seis partos, o 2º sargento Alexandre Flaviano dos Reis, do Corpo de Bombeiros, passa agora suas experiências aos alunos da Escola Superior de Soldados de Pirituba, zona oeste. É ele quem ensina – durante uma hora por semana – como tratar as mães durante o parto. Para ilustrar as situações é usada uma boneca.
O JT acompanhou uma dessas aulas. Atentos, os alunos, alguns deles pais de primeira viagem, sabem que após formados não estarão livres de enfrentar situações como essas. Dados da PM mostram que no ano passado 62 partos foram realizados com o auxílio de policiais, 32 deles só na capital.

Longe das maternidades equipadas com toda aparelhagem necessária, o sargento Flaviano explica que os futuros policiais terão de transformar grandes avenidas ou casas das mães em um verdadeiro centro cirúrgico e alerta principalmente para a questão da higiene. No meio de tantas dicas surgem mais experiências de vida. Peterson de Oliveira, de 31 anos, interrompe a aula para dizer aos colegas que tem três filhos. Ele conta que foi possível acompanhar o nascimento de dois deles, cercado de emoções.

Lições

Lucas Fernandes, de 26, acredita que as aulas serão importantes até mesmo para a preparação psicológica do PM. “A gente até sente um pouco de medo de pensar em fazer esses partos e a aula ajuda e nos dá confiança.”

De acordo com a PM, alguns episódios recentes marcaram o trabalho da corporação. Em janeiro, durante uma tempestade de verão no Guarujá, na Baixada Santista, uma picape estava em meio às águas e bem perto de uma base móvel da polícia. A dona do veículo passou a ter contrações. Dois soldados patrulhavam a região e foram ajudar. A bolsa já tinha rompido. Em alguns minutos um bebê do sexo feminino nasceu, com saúde.

A chuva forte também marcou os policiais do Grupamento Aéreo na capital. Em um temporal, no mês de janeiro, uma grávida estava parada em meio ao trânsito na alça de acesso da Rodovia Castelo Branco para a Marginal dos Pinheiros. Desesperada por achar que estava dando à luz, a moça chamou a PM. O helicóptero Águia posou e conseguiu levá-la até um hospital.

Nas ruas, as experiências de vida

Para quem já trabalha na rua sobram histórias. O soldado Nelson Filgueiras Neto, de 33 anos, do 1º Batalhão, na zona sul, conta com orgulho como foi o primeiro – e até agora único – parto de sua carreira. Foi no mês passado, ao lado do parceiro Robson Vieira Nascimento. “A experiência foi ótima. Um morador ligou para a companhia. Estávamos longe, mas conseguimos entrar na casa da mãe que daria à luz. A bolsa já tinha estourado”, recorda.
“Começamos a ajudar nos primeiros atendimentos e a menina, batizada de Mariana, nasceu. Assim que a criança nasceu, chegou a ambulância do Samu e levou mãe e filha para o hospital.”

“A sensação é ótima. A mãe até nos convidou para ver o bebê, que nasceu com 3 quilos e 750 gramas.” Sem esconder o afeto pela criança, o soldado foi até a casa visitar a recém-nascida. “Eu já me apeguei. Até perguntei à mãe se eu poderia levar minha mulher para conhecer a criança e ela deixou. Nós temos um bebê de quatro meses”, contou.

A mãe da pequena Mariana, Maria do Carmo Fonseca, nunca imaginou que, após quatro filhos, teria o quinto em casa. “Dá muita dor. Tive medo de a criança não sair. Você não enxerga ninguém, mas agradeço aos policiais.”

O cabo André Luiz Lavigne de Carvalho, de 29 anos, também do 1º Batalhão, é outro com partos no currículo. “Em março, teve um chamado de apoio a gestante. Chegando ao local, tocamos a campainha e quando subimos na casa, vimos que a mãe estava em avançado trabalho de parto. Só terminamos de retirar a criança e cortamos o cordão umbilical.”

Carvalho conta que vivenciou outras experiências de auxílio em partos. “Medo não deu, mas há uma apreensão porque é uma situação controlada, porém existe a possibilidade de acontecer alguma coisa”, afirmou. ::

Soldados vão fazer ‘provão’

A partir de outubro, todos os alunos formados na Escola Superior de Soldado – são 24 unidades no Estado – serão submetidos a uma espécie de ‘provão’ da Polícia Militar. A avaliação, chamada de Exame Estadual do Conhecimento Profissional, será organizada pela própria corporação.

Esses testes, segundo o coronel Luiz Eduardo Pesce Arruda, comandante da Escola Superior de Soldados, terão o objetivo de mensurar se a escola é mais forte ou mais fraca. “Serão avaliações práticas e teóricas”, conta. De acordo com o oficial, não haverá punição para o soldado que não apresentar bom desempenho. O que deve ser feito, segundo ele, são ajustes nas unidades de ensino.

Entre os itens a serem avaliados destaca-se a maneira como os policiais fazem um parto em bonecos emborrachados. Tudo será observado, desde a higiene até as palavras ditas pelo PM na hora em que a mãe está dando à luz.

Hoje, os alunos fazem um ano de curso, que é dividido entre módulo básico e específico, quando o policial atua na prática, mas sempre observado por um superior responsável. Das 24 escolas de soldados do Estado, 12 ficam na capital.

Policial chamado de ‘rei do parto’ foi assassinado

Apelidado entre os colegas de farda como “rei do parto”, o soldado Ailton Tadeu Lamas teve a carreira interrompida em maio de 2006, após 22 anos na Polícia Militar. O policial foi assassinado durante uma perseguição a bandidos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que assaltaram um banco em Guarulhos, na Grande São Paulo, e fugiram para a zona norte da capital. Houve tiroteio.

Lamas tinha 44 anos quando foi morto e deixou dois filhos, a mulher e um passado de herói na corporação: tinha 14 partos em seu currículo. Os “procedimentos médicos” , segundo parceiros, sempre tiveram final feliz. Com passagens por várias unidades da PM, Lamas trabalhava no 43º Batalhão da capital desde sua fundação, em dezembro de 2005. Em uma extensa entrevista ao portal de notícias do governo do Estado, o soldado contou que o primeiro parto da carreira foi feito em 1988. Chamado para socorrer uma grávida com contrações, teve de ajudar a mulher a dar à luz. Apesar de ter acompanhado 14 partos, os plantões o impediram de ver o nascimento dos dois filhos. O mais velho, inclusive, nasceu em outubro de 1988, mesmo ano do primeiro parto realizado pelo pai.
CAMILLA HADDAD

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