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14/12/2010

PAROXISMO HISTÉRICO

Você já teve o seu “paroxismo histérico” hoje… Ou não sabe do que se trata? Se não sabe, eu lhe digo: “paroxismo histérico” era como os médicos da era vitoriana chamavam o orgasmo das mulheres, que era considerada uma manifestação “anti-natural” e, como tal, tratável medicamente.E adivinhem qual foi o “remédio” que eles acabaram encontrando para este assim chamado “mal”? Nada menos que o dildo, o vibrador, o vulgarmente conhecido “consolo”! A história da invenção deste “dispositivo”, hoje sabiamente considerado um presente da era vitoriana para as mulheres, será contada num filme apropriadamente chamado “Hysteria” (na foto acima), sob a direção de Tanya Wexler e com um elenco estelar: Jonathan Pryce, Hugo Dancy, Gema Jones, Rupert Everett e Maggye Gyllenhaal (na foto abaixo), a quem caberá o privilégio de viver a personagem que, acidentalmente, testou pela primeira vez a eficácia do “instrumento”.
Não que o vibrador fosse uma novidade absoluta, não… Ele existia desde tempos remotos, como o demonstram certas gravuras rupestres em que senhoras pré-histéricas/quer dizer: históricas, são vistas na intimidade a utilizá-los. E em algumas civilizações teve versões bastante criativas, como aconteceu na Grécia antiga, onde, feitos de madeira ou couro, deviam ser enchidos com água ou leite de cabra e lubrificados com azeite, e eram oferecidos às solteironas ou às mulheres casadas cujos maridos tinham de se ausentar pra fazer a guerra e lá se dedicar àquelas brincadeiras entre homens.
Mas, comuns à história do homem desde os primórdios, os vibradores, bem como outros divertimentos sexuais, foram sumariamente banidos durante a idade média, e só voltaram a surgir na segunda metade do século XIX, e assim mesmo “oficialmente”, como remédio para mulheres, por assim dizer, inquietas. Em pouco tempo tornaram-se tão populares que, pasmem, acabaram sendo o quinto dispositivo doméstico elétrico a ser lançado no comércio, pela norte-americana Hamilton Beach (os outros quatro foram a máquina de costura, o ventilador, a chaleira e a torradeira elétrica): chegaram às lojas à frente dos aspiradores e dos ferros de engomar!
Tânya Wexler, uma cineasta americana lésbica assumida e (as duas estão na foto acima, e Tanya é a da direita) oficialmente casada com sua colaboradora Ammy Zimmerman (detalhe certamente irrelevante para o assunto em pauta), teve a idéia de contar num filme a história desse instrumento, cuja (re) invenção é atribuída ao médico inglês Joseph Mortimer Granville (vivido em “Hysteria” por Hugh Dancy). O roteiro, escrito por Jonas Lisa e Stephen Dyer, com a colaboração de Howard Gensler, explica que o auxílio sexual era visto como uma parte essencial do kit de medicamentos necessários para tratar as mulheres neuróticas.
“Quando ouvi sobre a invenção do vibrador senti que, se nunca tivesse feito outro filme na minha vida, teria que filmar essa história”, disse Tanya Wexler ao jornal The Observer, em Londres, onde o filme está sendo rodado, segundo ela num tom de comédia: “há algo sobre essa década de 1880, e quão rigorosos eram os códigos culturais, que o torna engraçado”. Toda a gente fazia de conta que aquilo era uma coisa médica e não sexual, e fingia que realmente acreditava nisso.”
Desde os tempos de Hipócrates à era Vitoriana, o diagnóstico e o tratamento da “histeria” da mulher “problemática” foi um tema constante na literatura médica. Já a prática da estimulação em busca da cura – às vezes manual, realizada por uma enfermeira ou pelo próprio médico – começou por volta de 1650 nos consultórios, nos quais também se recomendava às mulheres vítimas de ataques de ansiedade que “andassem a cavalo”, ou se exercitassem “vigorosamente” numa cadeira de balanço.
De todo modo, através da história do homem, mesmo quando sumiu de circulação, o “consolo” foi sempre tido como um objeto assim, meio mágico… Até que, no século XX passou a fazer parte do imaginário pornográfico e agora, exposto nas vitrines das sex shops, tornou-se comum.
Eu, por exemplo, conheço uma senhora que tem uma gaveta cheia deles… E não só os exibe aos mais íntimos, como até os trata por nomes, sem esquecer de dizer que o “Durão Barroso”, por ser “curto e grosso”, é o seu favorito…

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